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MINHA VIDA, MEUS CORDÉIS

Uma freira diferente


Esse estória verdadeira
Se deu na minha cidade
Um homem por amizade
Deu carona a uma freira
Um fetiche ele tinha
Beijar uma irmãzinha
Uma tara passageira

Ele disse irmãzinha
Uma coisa eu vou pedir
Nem pensar em escapulir
Quero você bem quietinha
Vou beijar sua boca
Uma vontade muito louca
Uma coisa que é só minha

Ela disse: sem problema
Vou dizer o que fazer
Para isto aconteçer
Tu terás o teu dilema
Três coisas eu vou te pedir
Você tem que consentir
Pra fazer o seu esquema

Você tem que ser solteiro
Um pedido a vingar  
Tem que torcer Ceará
Palavra de cavalheiro
Da Igreja tem que ser
Pra depois não vir dizer
Que mudei o meu roteiro

O caboclo animado
A ela foi respondendo
Da igreja eu dependo
Sou solteiro inveterado
Você pode acreditar
O meu time é o Ceará
Estamos do mesmo lado

Ela disse: pare o carro
Pertinho daquela praça
Quero que me satisfaça
Vamos já tirar um sarro
Porém ele não sabia
Que aquele beijo seria
Uma pedra no seu jarro

Na hora da despedida
Começou logo a chorar
Tu tens que me perdoar
Dizendo minha querida
Sou um grande mentiroso
Meu ato foi vergonhoso
Tu não és uma pervertida

Torço pelo Fortaleza
Nunca torci Ceará
Sou casado vou contar
Tenho filhos, com certeza
Sou ateu desde criança
Perdoe-me pela lambança
Não fiz voto de pobreza

Ela disse: Te enganei
Começou logo a sorrir
Tenho que admitir
Sou um belo de um gay
Só pra não me esquecer
O meu nome é Iberê
Nem de futebol eu sei

Edimar Monteiro

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LITERATURA DE CORDEL