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MINHA VIDA, MEUS CORDÉIS

A carta de Getúlio Vargas


Era final de agosto
Ele estava bem disposto
Ao trabalho rotineiro
À noite foi se deitar
Não antes de escutar
O seu amigo camareiro

Um grito se foi ouvido
Um tiro, um estampido
No quarto do presidente
O local com pouca luz
E os braços postos em cruz
Foi uma cena deprimente

O revólver bem ao lado
O fato foi consumado
Getúlio estava morto
Uma carta-testamento
Expondo o seu tormento
Contava seu desconforto

Na carta ele narrava
Aquilo que desejava
Qual a sua intenção
Um povo que se levante
Numa luta incessante
Buscando libertação

Estava sendo acusado
De morte ou atentado
Do Lacerda ladravaz
Esse escapou por sorte
Transferindo sua morte
Ao milica Rubens Vaz
 
Mas de modo repentino
Já prevendo seu destino
A Justiça o salvou
Sem o apoio político
Já velho e bem raquítico
Para a morte apelou

Calam minha voz ativa
Diz um trecho da missiva
Expressando seu rancor
Mantendo minha rebeldia
Eu batalho noite e dia
Por um povo sofredor

Já me sinto tão exangue
Mas apenas o meu sangue
É tudo que tenho a dar
São as aves de rapina
Que vivem sobre latrina
E a todos querem sugar

Ofereço a minha vida
Sem ter uma despedida
Que a todos queria dar
Se mantenham em união
E juntos em oração
Nunca vão nos derrotar

O meu sangue derramado
Por um povo abnegado
É uma chama imortal
É da vossa consciência
Um agir com sapiência
Nesta luta contra o mal

Eu vos dei a minha vida
E na estrada tão cumprida
Eu vos ofereço a morte
Centrados na minha glória
Guardem sempre na memória 
Minha entrada na história

Edimar Monteiro
16 de maio de 2016

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LITERATURA DE CORDEL