Eu não ralho contra o mundo
Nem isto é um libelo
Pois o cosmo é muito belo
E eu ainda sou fecundo
Mas a urbe traz mudanças
E me tira as esperanças
No espaço de um segundo
Contudo me dá alento
Se eu não me tornar fugaz
Se eu ainda for capaz
De fugir do meu tormento
Eu quero fincar raiz
Ser profícuo e feliz
Na urdidura do momento
Também tem a tal fusão
Do carinho e do ódio
Do cloreto e do sódio
Que lancina o coração
Eu faço minha escolha
Ou eu crio minha bolha
Ou mudo de estação
Edimar Monteiro
21 de fevereiro de 2026

