Seu andar está mais lento
Seu corpo já não coopera
O seu passo é espera
Suas dores um lamento
Seus olhos na claridade
Só mostram que a idade
Necessita de um alento
Convive com sua dor
Mas uma dor emocional
Pois sua vida social
Perdeu todo seu valor
Já não tem mais a labuta
Ninguém quase o escuta
O seu grito é um clamor
Quando conta suas glórias
Não é para se gabar
Ele espera se ancorar
Nos relatos das estórias
Se alguém o quer ouvir
Ele torna a repetir
Pra ativar suas memórias
As rugas não são sinais
Da sua senectude
Talvez da decrepitude
Que consome sua paz
São mapas de uma vida
Plenamente bem vivida
Que não volta nunca mais
Edimar Monteiro
30 de junho de 2026
Foto: Rolling Stone Brasil

