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MINHA VIDA, MEUS CORDÉIS

Um grito de alforria


Eu queria ter escrito
Mas fingi esquecimento
Foi o meu padecimento
Por não ter soltado o grito
Uma dor me machucava
Mas sozinha eu me calava
Para não criar conflito

O efeito não demorou
Aos poucos me isolei
Quando menos esperei
A conta pra mim chegou
A paz que eu fingia ter
Começou a derreter
E o caos me dominou

Silêncio também machuca
Ninguém nunca te contou
A dor que você guardou
Pode te deixar maluca
Para você se respeitar
É mister ter que falar
Pra sair da arapuca

Fale alto, solte a voz
Aproveite a ocasião
Não deixe sua emoção
Ser seu principal algoz
Essa dor que te incomoda
Um dia ela transborda
E deixa de ser atroz

Edimar Monteiro
21 de junho de 2026
Foto: Depositphotos

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LITERATURA DE CORDEL